O Envangelho de Judas: Novidade Ou um Velho Conhecido

“Falava ele ainda, quando chegou uma multidão; e um dos doze, o chamado Judas,

que vinha à frente deles, aproximou-se de Jesus para o beijar.

Jesus, porém, lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem?” (Lucas 22.47-48).

Naquela noite, do lado de fora dos muros de Jerusalém,

poucas pessoas testemunharam aquela cena tão rápida,

de poucos segundos e de um significado tão cruel.

Deveria ter sido um beijo fraternal ou um ósculo santo, mas não foi.

Deveria ter sido um beijo saudoso e respeitoso entre dois amigos, no entanto, também não foi.

 

Aquele que tornou-se o beijo mais famoso

O beijo de Judas, pelo pintor Giotto di Bondone (1267-1337).

 

 do mundo foi um beijo covarde, o beijo da entrega,

da traição, da falsidade, da vileza, do cinismo, do dedo-duro,

do alcagüete e da safadice. Oriundo de um impostor,

 embusteiro, hipócrita e fingido. O beijo de Judas Iscariotes

foi como um farrapo que se prende ao anzol para tentar pegar o peixe grande;

era o sinal combinado para os soldados romanos darem o bote sobre Jesus.

Essa é uma narrativa verídica de uma história antiga e mundialmente conhecida:

o beijo de Judas identificou quem era Jesus para os soldados romanos.

O pouco que os Evangelhos bíblicos nos dizem sobre Judas é bastante deplorável.

 Esse senhor tinha um discurso a favor dos menos favorecidos mas, na verdade,

não tinha cuidado com os pobres. Tinha uma bolsa que deveria guardar o dinheiro

 do grupo dos apóstolos, mas era ladrão e tirava o que era colocado nela (João 12.1-6).

 O Evangelho de Lucas narra que “Satanás entrou em Judas” (Lucas 22.3)

e ele traiu o Cristo. Entregou Jesus por trinta moedas de prata (Mateus 26.14-16)

e “melhor lhe fora não haver nascido!” (Mateus 26:24). Após trair Jesus,

teve remorso (Mateus 27.3), devolveu as trinta moedas de prata, mas não se arrependeu.

Resumindo, nos textos bíblicos esse sujeito é descrito como o quase-Satanás.

Essa é a história conhecida por todos. Ou, pelo menos era até surgir

a recente tradução do “Evangelho de Judas”. Então, esse personagem passou

 de vilão a herói, de bandido a mocinho e de cabra-safado a bom-moço.

Seria essa visão gnóstica novidade para nós cristãos? Ou apenas feijão requentado?

O Que é o Gnosticismo?

O gnosticismo é um movimento místico-cristão que surgiu

paralelamente com a igreja primitiva.

Gnosticismo vem da palavra grega “gnose” (conhecimento), não, porém,

no sentido comum de conhecimento racional. Os gnósticos usam

o termo para um conhecimento interior, um aprendizado intuitivo,

uma percepção de si mesmo que os conduz à descoberta de que

“eles próprios são deuses”. Muito interessante é que a

 principal doutrina esotérica do multifacetado Movimento

da Nova Era é a da “deidade interior”.

No segundo e terceiro séculos, os pais da igreja cristã criticaram

 e repugnaram com veemência os ditos “evangelhos gnósticos”.

No entanto, mais de 1500 anos passaram-se para que esses evangelhos

 se tornassem mundialmente conhecidos. Sua descoberta arqueológica

 foi em dezembro de 1945, nas imediações de Nag Hammadi,

no Alto Egito, por um camponês árabe chamado Muhamed Ali al-Salmman.

Dentro de um pote de cerâmica vermelha, Muhamed encontrou treze livros

 de papiro encardenados em couro contendo 52 textos (o “Evangelho de Judas”

não estava entre eles) escritos numa antiga língua egípcia chamada copta.

Os Evangelhos Gnósticos – Cristianismo às Avessas

As doutrinas gnósticas trazem uma inversão do cristianismo, onde os heróis bíblicos

são os vilões e onde os maus são os bons. Vejamos:

Sobre o Deus do Velho Testamento:

Segundo o Evangelho dos Egípcios (um texto gnóstico), o Deus do Velho Testamento

 é chamado de Sakla (que em hebraico significa “louco”,

 um nome depreciativo para Yahweh). Sakla se une com o demônio Nebruel

 e produz espíritos assistentes, dois dos quais são Adonais e Saboth.

Também chamam o Deus do Velho Testamento de Demiurgo (no grego),

de Primeiro Arconte e de Ialdabaoth.

Para os gnósticos, Deus é um tirano, ciumento, tolo, ignorante, mau,

 que tentou escravizar Adão e Eva no Jardim do Éden.

As ações do Deus do cristianismo são motivos de zombaria e boas risadas,

 especialmente quando Ele diz: “eu sou Deus e não há outro” (Isaías 45.21-22)!

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